Religião, Ciência e mais algumas coisas sobre William James
Meus assíduos leitores já puderam perceber minhas novas aventuras na obra de William James. Pra quem freqüenta o site, ou me conhece, sabe que ando empolgado nos estudos desse pensador norte-americano.
Não abandonei os clássicos e já me perguntaram se eu teria abandonado Eric Voegelin. Não, não abandonei, suas obras, aos poucos, vão se hospedando nas melhores prateleiras da minha biblioteca.
Na verdade, preciso confessar uma coisa, estou estudando William James justamente por causa do Voegelin. Depois de ler e reler suas Reflexões Auto-biográficas, ter escalado a montanha Ordem e História, minha ficha caiu para um detalhe: não dá pra compreender Voegelin sem antes compreender sua trajetória intelectual. Os pragmatistas americanos, Peirce, James, Dewey e Santayana, foram decisivos.
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O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo.
Recentemente, o físico Stephen Hawking, contrariando suas afirmações anteriores, disse que o universo bem poderia ter surgido do mero jogo espontâneo das leis físicas, sem nenhuma intervenção de um Deus criador.
Se há um Deus onipotente, onisciente e onipresente, é óbvio que não podemos conhecê-Lo como objeto, ou mesmo como sujeito externo, mas apenas como fundamento ativo da nossa própria autoconsciência, maximamente presente como tal no instante mesmo em que esta, tomando posse de si, se pergunta por Ele. Tal é o método de quem entende do assunto, como Platão, Aristóteles, Sto. Agostinho, S. Francisco de Sales, os místicos da Filocalia, Frei Lourenço da Encarnação ou Louis Lavelle.


"Para conseguir sua maturidade o homem necessita de um certo equilíbrio entre estas três coisas: talento, educação e experiência." (De civ Dei 11,25)
