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A lógica do coletivismo

escher31 escada acima e escada abaixoUm fenômeno trágico assola meu bairro aqui da Cidade de Sorocaba: diários assaltos a residências. Os números são impressionantes para qualquer cultura que se pretenda civilizada.

Não precisamos participar de uma guerra para vivenciá-la. De uns anos para cá invadir casas e matar pessoas tornaram-se práticas corriqueiras. E o descaso político impressiona mais ainda.

O que é pior para a difusão da violência do que ser tolerável com ela, tratá-la como uma “realidade”? A violência não pode ser tolerada como realidade! Isso não é contraditório, já que nem tudo é digno de ser tolerável. O Bem, a Beleza e a Justiça são realmente difíceis.

Há inúmeras explicações para esse fenômeno dos assaltos e da gratuidade da violência. Talvez uma das mais absurdas e insuperáveis seja a insistência ideológica da mentalidade coletivista que prescreve a ideia de que não existe propriedade privada. Foram anos de difusão desse “sistema ideológico”. O que é dos outros é de todos, portanto a vida humana já não é mais de ninguém. O niilismo social tem raízes bem mais complexas.

A insistência na lógica do condicionamento social também revela a face absurda dos intelectuais de esquerda: “fulano rouba e mata porque não teve oportunidades”. Criminosos são tratados como as únicas vítimas aceitáveis. Famílias estão desesperadas, estão sendo massacradas diariamente. Você sai pra trabalhar com medo, você sai pra comprar pão com medo, você sai pra levar o cachorro pra passear com medo, você sai pra jogar dominó na praça com medo.

A “rua” tornou-se o símbolo não mais da comunidade, mas da total desintegração social. As famílias já não possuem estruturas de autoproteção, pois já não vivem mais a experiência da ordem de comunidade. Um pai de família fica à mercê de um bandido como fica à mercê de um raio cair na sua cabeça. Com a diferença de que a chance de um raio cair na cabeça é bem menor do que alguém invadir tua casa e simplesmente tomar tuas coisas; e deve torcer pra que o bandido seja “gente boa” e não leve a vida dos teus filhos.

O determinismo sociológico dos intelectuais de esquerda retrocederam o processo civilizatório em milênios. Explicar as causas sociológicas para o fato de isso acontecer não resolve o problema imediato – e único que realmente interessa – de uma mãe ou de um pai desesperados por terem perdido o filho em uma ação estúpida e covarde, mas “justificada” por uma massa de “intelectuais”.

Política sempre foi uma área prática e normativa enquanto sociologia apenas descritiva. Reduziram a resolução desse seríssimo problema existencial ao mero dado sociológico e descritivo das estatísticas. Pessoas estão morrendo a fim de satisfazer não apenas o desejo desordenado de um criminoso, mas o desejo perverso desses reducionistas. Afinal, o que é a família de um burguês … Continue Reading ››

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Carta de um Reacionário

Reproduzo aqui um texto adaptado do comentário do Flávio Morgenstern ao poste do Reinaldo Azevedo. A razão é simples, por dois motivos: primeiro, pelo apoio ao Flávio! E, segundo,oras, vale a pena ler e compreender que não só de pão vive um homem! Vada a bordo, cazzo! Pra lembrar que é na hora do náufrago que o capitão não deve abandonar a nave.

Eu sou uma pessoa declaradamente de direita. Defendo o liberalismo, aquela bela doutrina da liberdade que Marx chamou de “capitalismo”. Tenho dados que mostram que defendo o sistema em que pobres enriquecem, mas isso irrita qualquer esquerdista, que só quer que pobre enriqueça se for com eles no poder – do contrário, é “eleitoreiro”. Sou a favor de tudo o que eles detestam (o que inclui tudo o que é bom no mundo).

Pra ser “pior” [...] ainda não vejo problema com o termo “reacionário”: reacionário é apenas quem espera reações das ações. Como já definiu G. K. Chesterton a respeito da Educação (excelente texto disponível aqui), não é que alguém se torna reacionário com a experiência: alguém apenas aprende que as coisas reagem, e sobretudo COMO reagem, antes mesmo de um novo experimento idêntico ser colocado em curso.

Um homem que aponta uma arma e atira numa doninha, num rei ou num elefante, ao contrário de um infante (ou um revolucionário), sabe que cada um desses atos terá uma reação diferente – isso é ser experiente, mesmo sem nunca ter pegado numa arma e atirado. Para tal experiência, urge ler, analisar, conhecer o mundo e determinar suas regras inescapáveis.

Não é o idealismo que é esquecido ou deixa de ser compreendido com a experiência: ganha-se dúvidas a respeito do real, não do ideal. Qualquer reacionário sabe que uma sociedade ideal, seja comunista, capitalista ou quem sabe até mesmo fascista, seria o paraíso na terra. O problema é o real: o real são as regras inapeláveis que impedem que nossos sonhos infantis se criem por mágica. O ideal é o mundo de faz-de-conta onde não precisamos prestar contas às regras da realidade.

O reacionário é aquele que não aceita que um idealista dite regras para ele: se é preciso que alguém o faça, que seja um realista. O reacionário é aquele que não aceita a concentração do poder nas mãos de um só, pois, por experiência e por se viciar na realidade (triste realidade), sabe que a concentração do poder é nefasta até para as melhores cabeças – e mesmo que não o fosse, várias cabeças tendo menos poder, por desagradável que seja, ainda é melhor que uma cabeça só com muito.

Exatamente por isso os bolcheviques e outros comunistas pecharam seus inimigos de reacionários, assim como os nazistas, na Canção de Horst-Wessel. Ser inimigo dos dois totalitarismos que mais mataram na história mundial! Não pode haver maior elogio … Continue Reading ››

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Afinal, oque é a esquerda?

Por Luciano Ayan

Várias vezes neo ateus se opõem ao que escrevo de forma indignada, dizendo algo como “O Luciano quer dizer que nós somos de esquerda, mas eu não sou marxista”. Por isso, já passou do tempo de esclarecer bem a questão da esquerda, e EXATAMENTE o que trato quando cito a esquerda.

Uma forma melhor de tratar a esquerda, como um todo, seria como sistema humanista de governo. O humanismo, naturalmente, não nos diz como gerir economicamente um país, mas dá uma base para todas as ideologias da esquerda. O humanismo é a crença na idéia de que o homem, por sua ação, poderá criar um mundo perfeito, isento “de males”. Daí, os sistemas de governo da esquerda traziam a idéia: “Então vamos inchar o estado para fingir que lutamos por esse mundo”. Simples assim.

Muitos religiosos duvidam do paradigma humanista, pois simplesmente acreditam que o ser humano é falível. Digamos que para o religioso o ser humano é um pecador em potencial Para chegar à essa constatação, não precisamos nem da religião, pois até alguns filósofos ateus concordam exatamente com a mesma proposição. Como exemplo, John Gray e Arthur Schopenhauer.

Para John Gray, a idéia de que o homem poderá criar um paraíso em Terra através “da ciência” não passa de uma ilusão, um ranço que vem dos tempos do positivismo. E John Gray usa em sua teoria apenas a teoria da evolução. (Por isso, nem todo ateu é humanista, mas quase todo humanista é um esquerdista, e o neo ateu é um humanista radical)

Qualquer conservador, em essência, duvida de qualquer sistema de governo humanista. Portanto, por tabela duvida de qualquer sistema da esquerda. Marxismo, liberalismo social e social democracia são as três principais alternativas para um sistema de governo de esquerda. E todos são derivados logicamente do humanismo.

O marxismo promete o mundo sem divisões sociais através da luta armada. Já a social democracia promete o mesmo mundo, mas obtido a partir de uma luta democrática. O liberalismo social é o mais facilmente vendável, e hoje atinge o PSDB no Brasil e o governo Obama nos Estados Unidos (lá eles atendem pelo nome de “Democratas” ou “Liberais”), e foca na luta por um mundo sem fronteiras, com “justiça social” e o blá blá blá de sempre.

O neo ateísmo é uma vertente liberal de anti-religiosidade, surgida com o fim de aumentar o poder político dos “seculares”, uma “tropa de elite” de humanistas seculares mais agressivos, sempre com o viés globalista, mania de todo liberal. (Não vamos confundir com liberalismo social, dos “liberais” da esquerda, com o liberalismo econômico, dos conservadores)

Em um post que que fiz em 15 de setembro, Brasil: Game Over OU O Começo da Ditadura Formal, … Continue Reading ››

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Miséria intelectual sem fim

Por Olavo de Carvalho

Diário do Comércio, 15 de agosto de 2005

James Ensor Intrigue. 1911

Há quase meio século o mercado editorial brasileiro, e em conseqüência os debates jornalísticos e universitários, cujo alimento de base são os livros, não refletem em nada o movimento das idéias no mundo, mas apenas o apego atávico da intelectualidade local a mitos e caoetes fabricados pela militância esquerdista para seu consumo interno e satisfação gremial.

Sem a menor dificuldade posso listar mais de quinhentos livros importantes, que suscitaram discussões intensas e estudos sérios nos EUA e na Europa, e que permanecem totalmente desconhecidos do nosso público, pelo simples fato de que sua leitura arriscaria furar o balão da autolatria esquerdista e varrer para o lixo do esquecimento inumeráveis prestígios acadêmicos e literários consagrados neste país ao longo das últimas décadas.

Esses livros dividem-se em sete categorias principais:

1. Obras essenciais de filosofia e ciências humanas que oferecem alternativas à ortodoxia marxista-desconstrucionista-multiculturalista dominante (por exemplo, os livros de Eric Voegelin, Leo Strauss, Xavier Zubiri, Bernard Lonergan, Eugen Rosenstock-Huessy, Thomas Molnar, David Stove, Roger Scruton).

2. Análises críticas dessa ortodoxia (Hilton Kramer, Roger Kimball, Keith Windschuttle, John M. Ellis, Mary Lefkowitz, Judith Reisman).

3. Pesquisas históricas sobre o movimento esquerdista internacional, baseadas nos documentos dos Arquivos de Moscou e outras fontes recém-abertas, (John Lewis Gaddis, John Earl Haynes, Stephen Koch, Harvey Klehr, R. J. Rummel, Christopher Andrew, Herb Romerstein, Ronald Radosh, Arthur Herman).

4. Livros sobre o esquerdismo hoje em dia, com a descrição dos laços abrangentes que unem ao terrorismo e ao narcotráfico a esquerda chique da grande mídia, das fundações bilionárias e dos organismos dirigentes internacionais ( Unholy Alliance , de David Horowitz, Countdowmn to Terror , de Curt Weldon, Treachery , de Bill Gertz, Through the Eyes of the Enemy , de Stanislav Lunev).

5. Livros sobre a perseguição anti-religiosa no mundo e o fenômeno concomitante da expansão acelerada do cristianismo na Ásia e na África ( The Criminalization of Christianity , de Janet L. Folger, Persecution , de David Limbaugh, Megashift , de James Rutz, Jesus in Beijing , de David Aikman etc. etc.).

6. Livros sobre questões políticas em discussão aberta nos EUA, com repercussões mundiais mais que previsíveis (Men in Black , de Mark R. Levin, So Help Me God , de Roy Moore, Deliver Us From Evil , de Sean Hannity, Liberalism Is a Mental Disorder , de Michael Savage e, evidentemente, todos os livros de Ann Coulter).

7. Obras essenciais que deram novo impulso ao pensamento político conservador americano e europeu desde os anos 40, como as de Ludwig von Mises, Marcel de Corte, Willmore Kendall, Russel Kirk, Erik von Kuenhelt-Leddin, William F. Buckley … Continue Reading ››

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