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Deus e as religiões II – Santo Daime

2º Por que não podemos tentar encontrar Deus dentro do nosso próprio “EU”? 3º Por que aqueles que nunca participaram de uma celebração do Santo Daime o critica?

A essas duas perguntas darei apenas uma resposta. Porém, gostaria de fazer uma pequena observação a respeito da segunda pergunta: o critério de participação não legitima a possibilidade de avaliação de uma decisão, aliás, é justamente a capacidade de criticar, avaliar, julgar, ponderar, ou seja, analisar as condições de possibilidades de alguma coisa, que me torna um ser pensante e um agente moral. É essencialmente pelo fato de podermos interpretar todas as condições de um evento antes da tomada de uma decisão sobre esse evento que nos torna humanos e livres.

Um julgamento de valor não dependente necessariamente da participação do fato que gera o possível julgamento de valor. Se assim fosse, todos precisaríamos ser Beethoven para julgar a boa música de Beethoven, ou todos precisaríamos passar pela experiência de assassinato para saber que isso não é certo. Dito isso, vamos lá:

Sinceramente, não há a menor possibilidade de acreditar como que uma pessoa, intelectualmente honesta, madura e ciente de si, possa cair na promessa estapafúrdia dessa suposta religião florestal, a saber: o Santo Daime. Talvez por um grau insuspeito de ingenuidade, ou ainda, uma mórbida curiosidade, não obstante, essas coisas em hipótese algum devam ser aceitas e consideradas como desculpas. Tudo bem que há uma série de condicionantes culturais, cujo enraizamento se alastra por meio da chamada cultura New Age, que não cabe, pelo menos por enquanto, serem analisados aqui, que tangencia determinadas escolhas e circunscreve a configuração dessa, especificamente, como de outras formas de religiosidade terapêutica.

Segundo seus adeptos, numa tentativa contraditória de justificar o injustificável, o problema essencial o qual a seita se propõe é sempre o de "re-significação da existência, através de uma espécie de (re)conexão espiritual" dada, entretanto, por uso de uma substância psicoativa “que provoca ampliações de consciência e aos homens de fé, uma comunhão com o sagrado”.

Incontestavelmente, toda religião genuinamente legítima deve ter um começo, um ponto de partida histórico fundamental no e a partir do qual todo seu corpo de doutrinas e sacramentos será estruturado e, no decorrer da sua própria história, ganhará forma e adeptos. Primordial é que, de alguma maneira, a sua fundamentação, a experiência religiosa que a legitime, deve-se dar “na” e “a partir da” história, ou seja, o horizonte da manifestação, da própria Revelação do sobrenatural, deve ser realmente circunscrito no espaço e no tempo, essencialmente como um fato. E isso, que foi denomina como “re-conexão”, tenha como ponto de partida a experiência histórica do sagrado, ou seja, que a experiência do sobrenatural se configure no espaço e no tempo e tenha como horizonte e limite da manifestação desse sagrado aquilo que é comum e natural. Se necessitássemos apenas do sobrenatural para compreender o sobrenatural,  religião não passaria de um casulo hermeticamente fechado. Se o sobrenatural não se manifestasse de alguma forma … Continue Reading ››

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