Os limites das minhas ideologias

A COMUNIDADE LGBT de Sorocaba elabora lista com propostas contra preconceito. Lá vem. Na ocasião, a deputada Iara Bernardi disse que ela viu bem isto: “o conservadorismo no Congresso Nacional, hoje, tem atrasado a pauta pelos direitos humanos. E é necessário que a comunidade tenha claro que ela precisa ser organizada para eleger seus representantes”.

Primeiro, de qual “comunidade” ela está falando? Espero que seja exclusivamente da comunidade que ela mesmo diz representar. Afinal, o conservadorismo no Congresso representa uma parte da comunidade, gostando ou não, conservadora. Nesse caso, exatamente, a comunidade LGBT precisa se organizar e eleger seus representantes. Em uma democracia representativa é assim mesmo que se faz, pra isso que serve o parlamento.

Esse dualismo “sociedade civil” e “poder público” tem justamente a função de impor e garantir limites às nossas ideologias. A superação desse dualismo implica fornecer as condições de possibilidade para os totalitarismos. Aliás, o conceito de Estado total emergiu dessa superação.

Umas das pautas em discussão busca garantir o direito de se usar banheiro público e banheiros de escolas segundo a identidade de gênero. Assunto para lá de polêmico devido ao seu caráter ideológico.

Por exemplo, se você disser que o uso do banheiro masculino ou feminino está determinado pela disposição anatômica das pessoas e não pela identidade de gênero, o recurso retórico da comunidade LGBT será o te atacar. Você será o conservador retrógrado impedindo o desenvolvimento dos direitos humanos.

Nada como a facilidade de viver em uma democracia em que só não sou mais feliz porque o outro não deixa. E por isso mesmo a democracia não pode ser direta. Essa fórmula “só não sou realizado porque o outro não deixa” precisa de mediações políticas e legais.

Reportagem da discussão aqui: http://goo.gl/1nhr1l